Independência

Escrito por: Redação

 

Gritamos às margens do Ipiranga para sermos “livres”, ou preferimos ficar deitados eternamente em berço esplêndido?

 
Os que vão às ruas desfilar comemorando o dia sete de setembro são hipócritas! O que comemorar? Peço perdão aos que defendem a tradição, aos Historiadores, em especial. Todavia, o estado de calamidade nacional me força a rasgar as cortinas dessa encenação que é feita anualmente. Claro que o povo sem história, não é um povo, mas encobrir a realidade com forjadas utopias do passado é um absurdo.

 
Vivemos em um país livre? De forma nenhuma! A nossa “Pátria Amada” é sinônima de vergonha. Aqui, ejacular no pescoço de uma mulher dentro de um ônibus que transporta crianças, bebês, idosos, adolescentes e adultos é permitido, mas amamentar um filho em vias públicas é proibido. No Brasil o crime compensa! Por exemplo, um indivíduo vai preso por homicídio, ele não precisa se preocupar, pois além de moradia e alimentação, ele terá direito a visitas íntimas e um salário mínimo para a sua família mensalmente. E a família da vítima? Para essa, infelizmente, resta apenas a dor, o sofrimento e a indignação. Aliás, diante das medidas insanas tomadas pelo atual governo para estabilizar a Economia, ninguém ousou mexer na situação dos presos, ou seja, o “auxílio prisão” está garantido.

 
Auxílios, bolsas, cotas… É disso que vive o “País do Carnaval”. Mas, ainda sobre liberdade, você a tem? Os números de homicídios e assaltos crescem diariamente. E a liberdade de expressão? Vivemos numa alienação televisiva, num monopólio “Global”, literalmente. Novelas que incentivam as piores práticas numa sociedade, informações destinadas a forçar uma opinião favorável ao emissor. Uma programação ofensiva às crianças, e quando a família está reunida (fato raro hoje em dia) no horário do almoço, em rede nacional, nos Jornais, são mostrados homicídios, assaltos, estupros, etc. Qual é o espaço para a Educação na mídia acessível à grande maioria da população? Como diria Cazuza “ver TV a cores na taba de um índio programada para só dizer sim, sim”¹.

 
Independência, de que? Fazendo uso da sentença latina “homo honini lupus”, criada por Plauto (254-184 a.C.), posteriormente eternizada por Thomas Hobbes (1588-1679), quando ele escreve, na sua obra mais evidente, “Leviatã”, que “o homem é o lobo do homem”, eu escrevo “O Brasil é colônia do Brasil”. Fomos “descobertos” em 1500, mas apenas no início do século passado foram criadas Universidades. Que por sinal, algumas estão com os dias contados. Vivemos num país onde é comum encontrar milhões de reais nas casas de políticos corruptos, que são réus de julgamentos em transição, enquanto muitos morrem por não terem vagas num hospital público.

 
“Um filho teu não foge à luta”… E como foge! Ora, estamos falando da nação cujo lema é “o jeitinho brasileiro”, furando filas, estacionando em vagas indevidas, não respeitando os idosos. Mas, temos um desfile cívico lindo. Piada! As Forças Armadas desfilam mostrando seu arsenal, enquanto traficantes riem livremente ostentando “armas exclusivas do exército”.

 
Vamos celebrar a estupidez brasileira, o voto dos analfabetos. ² Vamos marchar rumo à decadência. Marchamos, mas não conseguimos andar.

 
Nossos recursos naturais estão se esgotando, os que se preocupam com a causa ecológica não tem apoio. Também pudera, o próprio Presidente decidiu “leiloar” a Maior Floresta Tropical do Mundo.

 
E o que constitui uma nação, senão seus habitantes? “O povo heroico” prefere comprar um CD pirata ao invés de um livro. A escolha é nossa, viver e aplaudir este triste espetáculo de mentiras e corrupções ou conquistar e construir com braço forte um local onde possamos chamar de Pátria!

 
Vamos Filosofar, ou melhor, vamos nos libertar!

 

Notas:
1 – Frase extraída da música “Brasil” do cantor e compositor Cazuza.
2 – Alusão à música “Perfeição”, da banda Legião Urbana.

 

Referências
1 – Asinaria / Plauto, Tito Maccio – Espanha: Clássicas, 1997.
2 – Leviatã / Hobbes, Thomas – Martin Claret, 2008 – 2ª impressão.
3 – Ensino de Física: objetivos e imposições no ensino médio / Cleci Werner da Rosa & Álvaro Becker da Rosa – Revista Eletrónica de Enseñanza de las Ciencias – Vol. 4, nº 1 – 2005.

 

Por:Jailton dos Santos Filho
Aluno do Departamento de Física – UFS
Matrícula 201420016673

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